O canto litúrgico
42. Na arte da celebração, ocupa lugar de destaque o canto litúrgico.(126) Com razão afirma Santo Agostinho, num famoso sermão: « O homem novo conhece o cântico novo. O cântico é uma manifestação de alegria e, se considerarmos melhor, um sinal de amor ».(127) O povo de Deus, reunido para a celebração, canta os louvores de Deus. Na sua história bimilenária, a Igreja criou, e continua a criar, música e cânticos que constituem um património de fé e amor que não se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, não podemos dizer que tanto vale um cântico como outro; a propósito, é necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de géneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento litúrgico, o canto deve integrar-se na forma própria da celebração; (128) consequentemente, tudo — no texto, na melodia, na execução — deve corresponder ao sentido do mistério celebrado, às várias partes do rito e aos diferentes tempos litúrgicos.(129) Enfim, embora tendo em conta as distintas orientações e as diferentes e amplamente louváveis tradições, desejo — como foi pedido pelos padres sinodais — que se valorize adequadamente o canto gregoriano,(130) como canto próprio da liturgia romana.(131)
126. Cf. Instrução Geral do Missal Romano, 39-41; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 112-118.
127. Sermo 34, 1: PL 38, 210.
128. Cf. Propositio 25: « Como todas as expressões artísticas, também o canto deve estar intimamente harmonizado com a liturgia, colaborar eficazmente para o seu fim, ou seja, deve exprimir a fé, a oração, o enlevo, o amor por Jesus presente na Eucaristia ».
129. Cf. Propositio 29.
130. Cf. Propositio 36.
131. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 116; Instrução Geral do Missal Romano, 41.
12 de novembro de 2010
«Que se valorize adequadamente o canto gregoriano como canto próprio da liturgia romana.»
11 de novembro de 2010
«Canto capaz de exprimir a beleza da Palavra divina»
Canto litúrgico biblicamente inspirado
70. No âmbito da valorização da Palavra de Deus durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso particularmente na importância do canto gregoriano.246
246 Cf. CONC. ECUM. VAT. II, Const. sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 116; Ordenamento Geral do Missal Romano, 41.
Fiel à orientação dos seus antecessores e à Tradição da qual é o defensor, Bento XVI propõe o Canto Gregoriano como música viva para a oração da Igreja.
26 de outubro de 2010
Satan's blog
My will is done best when cloaked in religous garb. I make my greatest strides on earth by using those who have wandered from the truth, but who retain some vestige of “religion.” My best servants look just like harmless little sheep.
And while it’s not easy finding my religious-looking servants, my work to that end pays handsome dividends. Let me illustrate by introducing one of my
good buds who was in the news today, John Dominic Crossan.Mr. Crossan is the co-founder of one of my most effective organizations on earth, The Jesus Seminar. I tried for ages to get people to believe Jesus didn’t exist. But the evidence is just too great that he did. So, I hit upon the next best thing: convince people that whoever Jesus is, he is NOT the Jesus in the Gospel accounts of the New Testament. Genius! Pure genius!
Yeah, Jesus existed, but he was just a dude like you and me. Maybe more like me than you. He didn’t do nothin’ too great, no miracles or nothin’. And the resurrection? Are you kidding, moron? Could you do that?
All I had to do was find a suitable servant on earth to carry out my diabolically delicious idea. I needed someone with some religiosity, maybe even a clergy credentials. But I also needed someone who didn’t believe the Bible was the authoritative word of God. So I went wandering among some liberal scholars, from whom I can almost always find a suitable vessel. And I was not disappointed.
I found my buddy Crossan, who is described in a recent article entitled, “Ten
minutes with John Dominic Crossan,” as “arguably the world’s foremost scholar of the historical Jesus.” The foremost scholar? And he doesn’t believe the Bible tells the truth? Yes! Here was a man up to my task.
And I’ve been basking in my glory since the Jesus Seminar’s first meeting twenty-five years ago.
(...)
You see, my servants, Crossan got together a group of very wise men to “decide on the historicity of the deeds and sayings of Jesus.” And guess what they found? Ha ha ha ha ha.
I love it! You know that Lord’s Prayer thing? Our Father, who art in heaven . . . blah, blah, blah . . . ? Well, guess what? According to these smart men, Jesus said only the first two words: “Our Father.” And then he stopped. That’s it: Our Father, period. Ha ha ha ha ha. Are they not geniuses almost like me, or what?
Jesus: “OK, my disciples, you asked me to teach you to pray, so gather around. Here goes, listen carefully: ‘Our Father’.”
Disciples: “Got it. Go on.”
Jesus: “That’s it. ‘Our Father’. Pray that prayer regularly.”
Now, on the serious side, let me tell you, I remember that day the disciples asked Jesus to teach them how to pray. I was petrified. Jesus was going to teach people to pray?? I was sure that was the beginning of my end, and prepared my troops for the worst. And I heard Jesus utter every word of that prayer. When he got to the part about “your will be done on earth as it is heaven, ” well, if I had a heart it would have sunk on the spot. God’s will on earth?
“He’s doing it!” I screeched. “Get ready for battle!” And we did.
But, funny thing, they didn’t.
At least not later on, they didn’t. We found that once Jesus was gone very few of his disciples ever pray that prayer anymore, except in rote group recitals, in which everyone is concentrating on trying to remember the words. Is that not wild?
But back to my main man Crossan. Not only did his exalted group use their superior human wisdom to determine that Jesus uttered only two words of the Lord’s Prayer, according to this, the Jesus Seminar also rejects as true the resurrection of Jesus from the dead, the virgin birth, all of the miracles found in the Gospel accounts, and over 80% of the teachings normally attributed to Jesus.
Yes. That’s my boy! Does it get any worse than this? My will on earth right before my eyes! Oh, my servants, rejoice!
13 de outubro de 2010
Esta teologia não é para leigos
O facto é muito simples, e tem a ver com o título deste post. A teologia - o discurso teológico - só é bem aceite (pelos cristãos, leia-se; os outros aceitam mal qualquer discurso teológico, de resto aproveitando para atacar a Igreja, sobretudo na sua dimensão hierárquica, e ridicularizá-la, bem como a toda a mensagem cristã...) quando feita por clérigos (sobre a excepção que confirma a regra falaremos adiante).
Dou um exemplo concreto: se um padre, de uma Ordem ou Congregação religiosa ou não, discursa sobre o estado do mundo, denunciando o que está mal, proclamando a necessidade de novas relações humanas, fundadas no respeito entre os homens, no reconhecimento do outro como irmão, etc., é um herói, que tem coragem de remar contra a maré, de enfrentar um mundo adverso à mensagem cristã, e está a contribuir decisivamente para a mudança de mentalidades e comportamentos. Se for um leigo a fazê-lo, sobretudo se for teólogo, não passa de um idealista, que não sabe que o mundo não vive de ideias bonitas (ainda que estas se enraízem no Evangelho!).
Lugar à parte têm os leigos estudiosos por conta própria (contra os quais não tenho nada contra, desde que sejam portadores de inteligência e honestidade intelectual) que produzem verdadeiros tratados teológicos (ainda que sem qualquer fundamento científico, próprio de uma Teologia que quer ter lugar na "casa da ciência"; mas que interessa isso a estas pessoas?) para as redes sociais, e que, mesmo que sem passar pelo escrutínio do sensus fidei e do sensus ecclesiae são aclamadíssimos.
Mas a verdadeira questão, hoje, não está em denunciar esta separação, antes está em darmos as mãos (clérigos e leigos teólogos) e em juntar as nossas ideias e as nossas acções para mudar o mundo. Uma Teologia que perca a dimensão de ciência, por um lado, e a dimensão prática, concreta e palpável de presença no mundo - a que podemos chamar de pastoral - vai, concerteza, perder quer o seu lugar na "casa da ciência" quer o seu interesse para a vida das pessoas. E sem isso, ela deixa de ser coisa alguma. Está nas nossas mãos conservar a Teologia. Que o saibamos fazer, com a inteligência e com as mãos, para não sermos acusados de idealismo nem, por outro prisma, de viver uma acção social desligada da fé. Que a nossa vida seja fé, esperança e caridade, para que no fim permaneça o Amor.
(este texto, originalmente aqui, pretende servir de contributo para a reflexão a fazer na próxima tertúlia [na qual não posso desde já garantir a minha presença. Confirmá-lo-ei mais próximo da data...]. Aqui, procurei responder ao desafio de uma teologia o mais prático e actual possível)
16 de setembro de 2010
O Efémero e o Perene
13 de setembro de 2010
Comunhão de joelhos
A este propósito, leia-se esta entrada do blogue de Sandro Magister, o qual remete para um texto publicado no Osservatore Romano da autoria de Marco Agostini, Mestre de Cerimónias pontifício, sobre pavimentos de igrejas e a genuflexão, com cujos últimos parágrafos
«Perché la comunione in ginocchio
Benedetto XVI la vuole così, nelle messe da lui celebrate. Ma pochissimi vescovi e sacerdoti lo imitano. Eppure i pavimenti delle chiese erano resi preziosi anche per questo. Una guida alla scoperta del loro significato
di Sandro Magister
(...) Oggi l'inginocchiarsi – specie sul nudo pavimento – è caduto in desuetudine. Tant'è vero che suscita stupore la volontà di Benedetto XVI di dare la comunione ai fedeli in bocca e in ginocchio.
Questa della comunione in ginocchio è una delle novità che papa Joseph Ratzinger ha introdotto quando celebra l'eucaristia.
Ma più che di novità si tratta di ritorni alla tradizione. Le altre sono il crocifisso al centro dell'altare, "perché tutti nella messa guardiamo verso Cristo e non gli universo gli altri", e l'uso frequente del latino "per sottolineare l'universalità della fede e la continuità della Chiesa".
In un'intervista al settimanale inglese "Catholic Herald", il maestro delle cerimonie pontificie Guido Marini ha confermato che anche nelle messe del suo prossimo viaggio nel Regno Unito il papa si atterrà a questo suo stile di celebrazione.
In particolare, Marini ha annunciato che Benedetto XVI pronuncerà interamente in latino il prefazio e il canone, mentre per gli altri testi della messa adotterà la nuova traduzione inglese che entrerà in uso in tutto il mondo anglofono la prima domenica di Avvento del 2011: questo perché la nuova traduzione "è più aderente all'originale latino e di stile più elevato" rispetto a quelle correnti.
L'attrazione che ha esercitato la Chiesa di Roma su molti convertiti illustri inglesi dell'Ottocento e del primo Novecento – da Newman a Chesterton a Benson – era anche l'universalismo della liturgia latina. Un'attrazione per una fede solida e antica che oggi muove numerose comunità anglicane a chiedere di entrare nel cattolicesimo.
La "riforma della riforma" attribuita a papa Ratzinger in campo liturgico avviene anche così: semplicemente con l'esempio dato da lui quando celebra.
Ma tra i gesti esemplari di Benedetto XVI il meno compreso – sinora – è forse quello della comunione data ai fedeli inginocchiati.
Nelle chiese di tutto il mondo non lo si fa quasi più. Anche perché le balaustre alle quali ci si inginocchiava per ricevere la comunione sono state quasi dappertutto
disertate o smantellate.
(...)»
INGINOCCHIATOI DI PIETRA
di Marco Agostini
(...) I pavimenti delle chiese, lontani dall'essere ostentazione di lusso, oltre a costituire il piano di calpestio avevano anche altre funzioni. Sicuramente non erano fatti per essere coperti dai banchi, questi ultimi introdotti in età relativamente recente allorquando si pensò di disporre le navate delle chiese all'ascolto comodo di lunghi sermoni. I pavimenti delle chiese dovevano essere ben visibili: conservano nelle figurazioni, negli intrecci geometrici, nella simbologia dei colori la mistagogia cristiana, le direzioni processionali della liturgia. Sono un monumento al fondamento, alle radici.
Questi pavimenti sono principalmente per coloro che la liturgia la vivono e in essa si muovono, sono per coloro che si inginocchiano innanzi all'epifania di Cristo. L'inginocchiarsi è la risposta all'epifania donata per grazia a una singola persona. Colui che è colpito dal bagliore della visione si prostra a terra e da lì vede più di tutti quelli che gli sono rimasti attorno in piedi. Costoro, adorando, o riconoscendosi peccatori, vedono riflessi nelle pietre preziose, nelle tessere d'oro di cui talvolta sono composti i pavimenti antichi, la luce del mistero che rifulge dall'altare e la grandezza della misericordia divina.
Pensare che quei pavimenti così belli sono fatti per le ginocchia dei fedeli è commovente: un tappeto di pietra perenne per la preghiera cristiana, per l'umiltà; un tappeto per ricchi e poveri indistintamente, un tappeto per farisei e pubblicani, ma che soprattutto questi ultimi sanno apprezzare.
Oggi gli inginocchiatoi sono scomparsi da molte chiese e si tende a rimuovere le balaustre alle quali ci si poteva accostare alla comunione in ginocchio. Eppure nel Nuovo Testamento il gesto dell'inginocchiarsi si presenta ogni qualvolta a un uomo appare la divinità di Cristo: si pensi ai Magi, al cieco nato, all'unzione di Betania, alla Maddalena nel giardino il mattino di Pasqua.
Gesù stesso disse a Satana, che gli voleva imporre una genuflessione sbagliata, che solo a Dio si devono piegare le ginocchia. Satana sollecita ancora oggi a scegliere tra Dio o il potere, Dio o la ricchezza, e tenta ancora più in profondità. Ma così non si renderà gloria a Dio per nulla; le ginocchia si piegheranno a coloro che il potere l'hanno favorito, a coloro ai quali si è legato il cuore attraverso un atto.
Buon esercizio di allenamento per vincere l'idolatria nella vita è tornare a inginocchiarsi nella messa, peraltro uno dei modi di "actuosa participatio" di cui parla l'ultimo Concilio. La pratica è utile anche per accorgersi della bellezza dei pavimenti (almeno di quelli antichi) delle nostre chiese. Davanti ad alcuni verrebbe da togliersile scarpe come fece Mosè davanti a Dio che gli parlava dal roveto ardente.
6 de setembro de 2010
Rino Cammilleri, apologeta católico
De regresso de uma estadia em Roma, da qual, não me faltasse o engenho e a arte ― a escassez de tempo é mera desculpa ― muito haveria a escrever, faço a minha reentrada no mundo dos mortos-vivos que é a blogosfera com uma referência a um autor italiano de um género que, para desgraça da nação lusa e da fé na Igreja, por cá não se pratica: a apologia do catolicismo. Na Itália são muitos os apologetas que não se calam perante as permanentes investidas dos progressistas anticatólicos, os quais, com ou sem fundamento, a propósito e a despropósito, se dedicam à revolucionária missão de atacar a Igreja, a qual é, segundo Gramsci, o maior inimigo da revolução.
Rino Cammilleri, a cujo conhecimento cheguei por feliz acaso, melhor, pela mão da Providência, através do livro L'ultima Difesa del Papa Re - Elogio del Sillabo di Pio IX, no qual tropecei num alfarrabista situado numa passagem subterrânea para peões na Via del Tritone, a caminho da Piazza Barberini.
Neste livro, Cammilleri, após uma extensa introdução, na qual contextualiza historicamente o Syllabus errorum, apenso à encíclica Quanta cura de Pio IX , comenta, uma a uma, as proposições condenadas naquele documento. Desse modo, Cammilleri fornece ao leitor ignorante, como eu, chaves de compreensão do controverso texto e demonstra que Pio IX anteviu, se quisermos profeticamente, os efeitos corrosivos das proposições liberais condenadas, muitas das quais constituem artigos de fé do pensamento correcto vigente. Chega-se à conclusão, ainda, de que muitos desses artigos de fé são actualizações de heresias cristãs, ocorrendo dizer: nada disto é novo.
A propósito, pode mencionar-se a relação apontada por Cammilleri entre o ecologismo radical e a heresia cátara-albigense, para a qual o Homem é uma força do mal, agente destruidor, cuja população urge controlar, no extremo eliminar.
Aqui fica, para aguçar o interesse e para instrução dos interessados, o excerto do livro concernente à terceira proposição condenada, com a qual tem início a passagem:
Autor a seguir; livro a ler.Allocuzione Maxima quidem, 9 giugno 1862
Quell'esercizio onanistico della ragione che si chiama «utopia» e che consiste nel mettersi a tavolino e «ragionare» su come si possa fare felice l'umanità riorganizzandole l'esistenza, un giorno, come è noto, cessò di essere trastullo di gente come Platone, Thomas More e Bacone per passare nelle mani di Rousseau, Robespierre, Marx. Cominciarono così gli «ismi» e il sangue non cessò più di scorrere, inaugurando un'era di inaudita sofferenza per quell'umanità che, al confronto, aveva prima al massimo qualche problema pratico.
Il Sillabo preannuncia gli esiti funesti di tutti gli «ismi»; anche dell'«eclettismo» (come si diceva allora), cioè del sincretismo, che poi sarebbe lo zio (se non il padre) dell'attuale New Age. Il Sillabo dice ai suoi contemporanei: attenti perché, malgrado le grandi promesse e speranze che cominciano a baluginare, poi va a finire male. È la messa in guardia dalle ideologie, schemi di pensiero che rovesciano la dialettica cristiana; quest'ultima parte dalla vita, dall'esperienza, e sale al pensiero, laddove quelle fanno il contrario. « Cominciamo col togliere di mezzo tutti i fatti», diceva Rousseau nell'incipit del suo Discours de l'inégalité parmi les hommes. Ci vo leva coraggio, da parte di Pio IX, perché davvero a quel tempo il cristianesimo doveva sembrare il passato e le nuove ideologie il radioso avvenire. Ci voleva realmente la statura del profeta per non lasciarsi abbagliare dagli ideali di allora, Nazione, Libertà, Democrazia, che tanti generosi idealisti (giovani soprattutto) andavano coinvolgendo.
Noi oggi abbiamo sotto gli occhi due nuovi «ismi» che, paradossalmente, esaltano come «futuro» un ritorno al passato, anche se si tratta di un «passato» immaginario, come quel famoso «stato di natura» che esisteva solo nella testa senza parrucca dei philosophes.
Il primo è l'ecologismo, cioè la religione (perché come fede fanatica è vissuta) che vede nell'uomo un fastidioso e inquinante abitatore di Gaia, la terra, essere «vivente» su cui l'umanità vive da parassita. La maggiore organizzazione internazionale, l'ONU, ha non a caso programmato il «numero chiuso», con politiche di contenimento coercitivo delle nascite, malgrado i più autorevoli scienziati del mondo abbiano da tempo sfatato tutti i terrorismi ambientali, dal mito dell'esaurimento delle risorse a quello del fantomatico «buco nell'ozono». Non è un caso che proprio gli ambienti che hanno sempre inveito contro ogni forma di «colonialismo» plaudano alle decisioni che dispongono in modo brutale dei destini di interi popoli, pretendendo anche di stabilire quanti, come e dove abbiano il diritto di procreare e di nascere. È quantomeno singolare che una sfiducia così disperata nelle possibillità dell'uomo provenga da chi del «progressismo» ha fatto una bandiera. L'odio per la vita, per la procreazione, per il matrimonio sono antichi quanto l'eresia gnostica.
Basti pensare ai Catari del Medioevo, che predicavano il suicidio e i rapporti non fecondi. Ma l'attuale Cina ancora comunista fa lo stesso (per Del Noce, lo ribadiamo, il comunismo è un «movimento gnostico di massa»), permettendo solo il figlio unico, cosa che provoca ecatombi di femmine, perché le famiglie, potendo avere un solo figlio, lo vogliono maschio. Filippo di Edimburgo, uno dei fondatori del WWF: «Se rinascessi, mi piacerebbe essere un virus letale, per contribuire a risolvere il problema dell'eccesso di popolazione». Fulco Pratesi, nel 1989 presidente del WWF italiano: «Le ricorrenti notizie di famiglie sterminate dai funghi costituiscono un buon deterrente e un discreto disincentivo alla loro raccolta selvaggia». Curioso (ma non troppo) antecedente: nella Germania nazista vigeva il divieto di vivisezione e sperimentazione su animali; la legge recava la firma di Góring. Inquietante mescolanza, in un'unica testa, di razionalismo, irrazionalismo, ecologismo: sir Arthur Conan Doyle, ex cattolico, inventore dello «scientifico» Sherlock Holmes (singolare anticipazione di certa modernità: il misogino investigatore si drogava), era spiritista, come sappiamo, e credeva nelle fate; ma scrisse anche un racconto su un luogo in cui sopravvivono i dinosauri (Un mondo perduto) e uno in cui la terra viene presentata come un immenso essere vivente (E la terra urlò).
L'altro insospettabile «ismo» dei nostri giorni è il fondamentalismo. Secondo Samuel N. Eisenstadt, professore all'Università di Gerusalemme, si tratta di un fenomeno assolutamente moderno, che non rappresenta affatto - dice lo studioso - un ritorno indietro, bensì una «moderna utopia giacobina antimoderna», provvista di una rigidissima disciplina partitica e facente largo impiego di moderne tecnologie di comunicazione e di propaganda. Dietro l'apparenza di un richiamo all'ortodossia, è composto in realtà da movimenti fortemente eterodossi, di tipo totalitario. Non per niente esso è nato e si è sviluppato negli USA, attecchendo di preferenza in società protestanti; quelle cattoliche, conclude l'Eisenstadt, ne sono immuni, grazie alle «funzioni mediatrici» del papa e della Chiesa.
NB: publicado simultaneamente, com algumas adaptações, em Nada Disto É Novo.
